As marés dos Açores têm metade da altura das do Continente, e chegam à mesma hora

O MarETERNIZA · 07.10.2026 · 12 MIN

As marés dos Açores têm metade da altura das do Continente, e chegam à mesma hora

Segundo a Tabela de Marés 2026 do Instituto Hidrográfico, na madrugada de 25 de novembro de 2026 a preia-mar vai chegar a Ponta Delgada às 02h16 em tempo universal, e a Cascais no mesmo minuto. Em Ponta Delgada, a maré dessa noite sobe e desce metade do que sobe e desce em Cascais. Entre os dois marégrafos há cerca de 1 400 quilómetros de oceano, e a crista da maré vai passar pelos dois ao mesmo tempo. Quem consultar as tábuas já convertidas para a hora de cada lado, porém, lê outra coisa: 01h16 em Ponta Delgada, 02h16 em Cascais.

Poster Calendário das Marés da praia das Milícias, com a maré referida a Ponta Delgada, para 2027, no estilo Maré Serena, com a dedicatória «Metade da maré, à mesma hora.»

A hora de diferença não está no mar. A diferença de altura está, mas só em parte.

Este post é a explicação dessas duas diferenças, com as tabelas do Instituto Hidrográfico abertas lado a lado.

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Metade da maré, nas tabelas do Instituto Hidrográfico

Antes de comparar as marés de Ponta Delgada com as de Cascais, convém dizer o que se compara. Não a altura da preia-mar, que se conta a partir de um zero diferente em cada porto. Não a «amplitude» de uma constituinte harmónica, que é outra grandeza com o mesmo nome. Não a média das leituras de um marégrafo. Compara-se a amplitude de maré: quanto a água desce de uma preia-mar até à baixa-mar seguinte.

Para isso, a Tabela de Marés traz em cada ano os Elementos de Marés de cada porto, com a preia-mar e a baixa-mar médias das águas-vivas, que são as marés de maior amplitude, perto da Lua Nova e da Lua Cheia. A distância entre as duas é a amplitude média das marés vivas. Comparadas as marés, Ponta Delgada fica com menos de metade: segundo os Elementos de Marés 2026, 1,31 metros, contra 2,75 metros em Cascais.

A conta também se faz pela onda que mais pesa nos dois portos, a constituinte lunar semidiurna principal, a que os hidrógrafos chamam M2. Pelas constantes harmónicas do mesmo volume, essa onda afasta-se do nível médio 0,487 metros em Ponta Delgada e 0,988 metros em Cascais, para cima e para baixo. É isso que a tabela quer dizer quando escreve a «amplitude» de uma constituinte: metade da oscilação, e não a oscilação inteira. Outra vez, metade.

Nos mesmos elementos, nenhum porto dos Açores chega a metade de Cascais. A Madeira fica a meio caminho, e a maré continua a crescer para dentro do Tejo.

Amplitude média de águas-vivas
Ponta Delgada1,31 metros
Cascais2,75 metros
Barras da amplitude média de águas-vivas em 2026 em nove portos, das Lajes das Flores a Lisboa
FIG. 1Barras da amplitude média de águas-vivas em 2026 em nove portos, das Lajes das Flores a Lisboa.

Das Lajes das Flores a Lisboa, a maré viva média quase triplica. Os portos dos Açores ficam todos abaixo de metade de Cascais, e o Funchal fica a meio.

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O zero de cada porto

Nos mesmos Elementos de Marés, Ponta Delgada tem 1,66 metros de preia-mar média de águas-vivas, e Cascais tem 3,46. Parece mais do dobro. Mais de metade dessa diferença não é maré.

As alturas das tábuas contam-se a partir do Zero Hidrográfico, que o Instituto Hidrográfico coloca abaixo da maré astronómica mais baixa, para que as previsões de altura saiam sempre positivas. A maré mais baixa é diferente em cada porto, e por isso o zero também é. Em Cascais, o zero fica 2,08 metros abaixo do nível médio; em Ponta Delgada, 1,00 metro.

Da diferença entre as duas preia-mares, 1,08 metros são só a distância entre os dois zeros. O resto é maré, e é apenas metade da diferença entre as duas oscilações, porque uma preia-mar mostra só a parte de cima.

A comparação justa faz-se entre amplitudes, não entre alturas. Duas tábuas lidas lado a lado exageram a diferença entre os dois portos. Não a inventam.

1,08 metros

da diferença entre as duas preia-mares são só a distância entre os dois zeros

Curvas de maré de 13 de agosto de 2026 em Ponta Delgada e em Cascais, sobre o mesmo nível médio, com os dois Zeros Hidrográficos
FIG. 2Curvas de maré de 13 de agosto de 2026 em Ponta Delgada e em Cascais, sobre o mesmo nível médio, com os dois Zeros Hidrográficos.

Postas sobre o mesmo nível médio, as duas curvas separam a diferença em duas partes: um zero mais fundo em Cascais e uma oscilação com o dobro da altura.

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A hora das tábuas é a do relógio, não a do oceano

As tabelas diárias do Instituto Hidrográfico trazem todas no cabeçalho o mesmo fuso, o do tempo universal, e as dos Açores também. O volume avisa-o logo na introdução.

As previsões de marés para os portos que figuram neste volume da Tabela de Marés foram calculadas para o Fuso 0.

Instituto Hidrográfico · Tabela de Marés 2026, Volume I

Lidas nessa hora comum, as preia-mares dos dois portos quase não se separam. A tabela dava a maior do ano em Ponta Delgada a 13 de agosto de 2026, às 14h51 em tempo universal, e a de Cascais, nesse dia, às 14h55. Praticamente juntas.

Não é um dia escolhido a dedo. Contadas uma a uma para este artigo, as preia-mares que as tabelas diárias do volume dão aos dois portos nunca se afastam mais de vinte minutos, e nas marés vivas ficam a menos de dez. Também não é sempre Ponta Delgada a chegar primeiro: em 198 preia-mares do ano, chega antes Cascais.

A hora de avanço que as tábuas convertidas parecem dar aos Açores vem de outro lado. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que cita a lei, os relógios açorianos marcam o tempo universal menos uma hora no inverno e o tempo universal no verão; os do Continente marcam o tempo universal no inverno e mais uma hora no verão. As duas mudanças fazem-se no mesmo instante. Os Açores ficam uma hora atrás do Continente durante o ano inteiro.

Daí as duas leituras da madrugada de 25 de novembro. Já na hora de inverno, a mesma crista lê-se 01h16 numa tábua convertida para Ponta Delgada e 02h16 numa tábua de Cascais. O mar não tem hora de diferença. Têm-na os relógios.

A mesma preia-mar de 25 de novembro de 2026 em tempo universal e nos relógios de Ponta Delgada e de Cascais
FIG. 3A mesma preia-mar de 25 de novembro de 2026 em tempo universal e nos relógios de Ponta Delgada e de Cascais.

Nessa madrugada de novembro, a crista da maré passa pelos dois portos no mesmo minuto. A hora de diferença que as tábuas convertidas mostram foi posta pela lei, não pelo oceano.

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Onde a maré é nula

Falta perceber porque é que a crista chega aos dois portos ao mesmo tempo e com alturas tão diferentes. A resposta está numa figura que os manuais de oceanografia desenham e que as tábuas não mostram.

A maré do oceano aberto não atravessa o Atlântico de margem a margem. Roda. O glossário da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos chama sistema anfidrómico à região centrada num ponto onde a amplitude da maré é nula, e onde a amplitude cresce à medida que se afasta desse ponto. No hemisfério norte, a crista roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, com a costa à direita, segundo o manual de dinâmica costeira de Bosboom e Stive, da Universidade Técnica de Delft. Cada volta leva o tempo que vai de uma preia-mar à seguinte.

As notas de dinâmica de marés da Universidade de Washington põem um desses pontos no centro do Atlântico Norte. Uma imagem ajuda, e é só uma imagem: um prato com água que oscila em roda. No centro, a água quase não se mexe; na borda, sobe e desce mais. Nas cartas desses manuais, os Açores ficam mais perto do centro do que a costa portuguesa.

Os números do Instituto Hidrográfico dentro do arquipélago vão no mesmo sentido. A M2 tem 0,504 metros em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, e encolhe de ilha para ilha, para oeste, até 0,369 nas Lajes das Flores. Ler nisto a aproximação ao ponto onde a maré é nula é uma inferência que o Instituto Hidrográfico não escreve. É também a leitura mais simples de números que descem sempre na mesma direção.

Do lado de cá, segundo Marta-Almeida e Dubert, na Continental Shelf Research, a M2 sobe a costa da Península de sul para norte. É coerente com isso que, nas tabelas do Instituto Hidrográfico, a preia-mar chegue ao Funchal antes de chegar a Cascais, e a Leixões depois.

Sistema anfidrómico

Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos · Bosboom e Stive, Universidade Técnica de Delft

Esquema qualitativo do sistema anfidrómico do Atlântico Norte, com o ponto de maré nula, os Açores, a Madeira e a costa portuguesa
FIG. 4Esquema qualitativo do sistema anfidrómico do Atlântico Norte, com o ponto de maré nula, os Açores, a Madeira e a costa portuguesa.

Esquema qualitativo, sem coordenadas: a maré roda em torno de um ponto onde é nula e cresce com a distância a ele. Os Açores ficam mais perto desse ponto do que o Continente.

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A plataforma amplifica pouco, e o Tejo muito

A explicação que se ouve com mais frequência é outra: as ilhas sobem de água funda, sem plataforma que amplifique a maré, e o Continente tem uma. A primeira metade confirma-se. Os Açores assentam num planalto submarino rodeado de fundos oceânicos, segundo Lourenço e colegas, na Marine Geophysical Researches, e as plataformas das ilhas são estreitas, segundo os levantamentos de Quartau e colegas. O marégrafo de Ponta Delgada mede, na prática, a maré do oceano aberto.

A segunda metade, só em parte. A plataforma continental portuguesa é estreita a sul de Lisboa e mais larga ao largo do centro do país, segundo Relvas e colegas, na Progress in Oceanography. Pelas constantes do Instituto Hidrográfico, Sines e Cascais têm exatamente a mesma M2, e Leixões, mais a norte, pouco mais. Que a plataforma amplifique pouco é uma leitura destes números, não uma frase do Instituto.

O que amplifica a sério é o estuário. De Cascais para Lisboa, já dentro do rio, a M2 sobe 12 %, e as Concordâncias do Instituto Hidrográfico dão a vários pontos do Tejo interior mais amplitude ainda do que a Lisboa. O rio também atrasa a crista: ao longo do ano, nas tabelas diárias do Instituto Hidrográfico, a preia-mar chega a Lisboa 20 a 46 minutos depois de Cascais.

Marés muito maiores pedem outra coisa, a ressonância: uma baía com o comprimento e o fundo certos para oscilar ao ritmo da própria maré, como explicam Pugh e Woodworth em Sea-Level Science. A baía de Fundy, no Canadá, tem 11,7 metros de amplitude média em Burntcoat Head, segundo a NOAA, a agência oceânica dos Estados Unidos. Os Açores não têm baía nenhuma desse género a amplificar o oceano.

12 %

o que a M2 sobe de Cascais para Lisboa, já dentro do rio

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De que ano é a maré de cada porto

Uma tabela de marés não mede a maré do ano. Calcula-a. As constantes harmónicas de cada porto vêm, em regra, de um ano de observações num marégrafo, e cada porto tem o seu ano. As de Ponta Delgada saem de um marégrafo «na raiz do molhe de Ponta Delgada, junto à rampa do varadouro». As de Angra do Heroísmo vêm, segundo as notas do Instituto Hidrográfico, de «um ano de observações maregráficas (1977)». O marégrafo das Lajes das Flores está, nas mesmas notas, «atualmente desativado».

Das constantes tiram-se os elementos de cada ano, que não são iguais de um ano para o outro. É por isso que a tabela publica elementos novos todos os anos, e que os de um ano não servem para o seguinte.

De onde vêm as constantes
Angra do Heroísmoum ano de observações, 1977
Lajes das Floresmarégrafo «atualmente desativado»

Os elementos de marés variam de ano para ano com uma periodicidade de cerca de 18,6 anos.

Instituto Hidrográfico · Tabela de Marés 2026, Volume I

O que a tabela não calcula é o tempo que faz. As previsões do Instituto Hidrográfico referem-se só à maré astronómica, as alturas das tabelas diárias vêm truncadas ao decímetro, e as diferenças causadas pela meteorologia, avisa o mesmo volume, raramente passam de 0,3 a 0,4 metros. Num porto onde a maré viva média tem 1,31 metros, essa margem pesa mais do que em Cascais.

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O que um calendário de marés de São Miguel é, e o que não é

Um calendário de marés é a curva de um ano numa praia, calculada a partir das constantes de um porto de referência. Em outubro de 2026, nos Açores, o Calendário das Marés da Eterniza só calcula praias da ilha de São Miguel, como as Milícias, os Mosteiros ou a Caloura, e todas com a maré referida a Ponta Delgada. Não há praias da Terceira, do Faial, das Flores nem de Santa Maria, embora o Instituto Hidrográfico publique tabelas para Angra do Heroísmo, Horta, Lajes das Flores e Vila do Porto.

E é melhor dizer o que isso implica antes, e não depois. As curvas de um calendário de São Miguel têm cerca de metade da altura das de uma praia do Continente, porque a maré tem metade da altura. Quem quer o desenho das marés grandes deve escolher uma praia do Continente.

O calendário também não é uma publicação do Instituto Hidrográfico, nem um instrumento para entrar no mar. Usa as previsões do Instituto como fonte, não como aval, e o bloco de baixo diz o que isso significa.

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O que fica

Fica uma maré que é a do oceano aberto, medida numa ilha rodeada de água funda, e uma crista que passa por Ponta Delgada e por Cascais com minutos de diferença, por muito que os relógios digam uma hora. Metade da maré, à mesma hora. Um Calendário das Marés de São Miguel desenha essa curva baixa ao longo de um ano inteiro, e as curvas são baixas porque o mar ali é assim.

Fonte e limitações

Dados de previsão de marés baseados em informação publicada pelo Instituto Hidrográfico.

Produto independente, sem associação institucional ao Instituto Hidrográfico. A informação apresentada não deve ser utilizada para navegação, segurança marítima ou planeamento de operações no mar. Para esses fins, devem ser consultadas as publicações e os serviços oficiais do Instituto Hidrográfico.

Modelo de marés: EOT20 (Hart-Davis et al., 2021, DGFI-TUM, doi:10.17882/79489, CC BY 4.0).

Praias: APA, Agência Portuguesa do Ambiente (CC BY 4.0) e © OpenStreetMap contributors (ODbL).

Horas, alturas e constantes: Instituto Hidrográfico, Tabela de Marés 2026, Volume I (© Marinha, Instituto Hidrográfico, 2025), tabelas diárias, Elementos de Marés 2026 (p. 3-5), Concordâncias (pp. 3-2 e 3-3), Constantes harmónicas fundamentais (p. 3-4), notas dos portos e §103 a §106, consultada a 7 de outubro de 2026. Todas as tabelas diárias têm o cabeçalho «Horas do Fuso: 0», isto é, tempo universal, e as horas do texto estão em tempo universal, salvo as das tábuas convertidas, a que se somou ou subtraiu a hora legal: Açores no tempo universal menos uma hora no inverno e no tempo universal no verão; Continente e Madeira no tempo universal no inverno e no tempo universal mais uma hora no verão; mudança simultânea à 1 hora de tempo universal, em 2026 a 29 de março e a 25 de outubro (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, «Hora legal», com base no Decreto-Lei n.º 17/96, de 8 de março, e no decreto legislativo regional dos Açores de 1996). As alturas das tabelas diárias vêm truncadas ao decímetro. As previsões de Carlos Antunes (IDL, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), feitas com outras constantes, dão as preia-mares de 25 de novembro de 2026 às 02h17 em Ponta Delgada e às 02h20 em Cascais, e as de 13 de agosto de 2026 às 14h49 e às 14h57; foram consultadas a 7 de outubro de 2026. A maior preia-mar de 2026 em Ponta Delgada, 1,86 m a 13 de agosto às 14h51, é a dos Elementos de Marés 2026.

As amplitudes médias de águas-vivas de 2026, 1,31 m em Ponta Delgada e 2,75 m em Cascais, são a diferença entre a preia-mar e a baixa-mar médias de águas-vivas impressas nos Elementos de Marés 2026 (1,66 menos 0,35 m e 3,46 menos 0,71 m). Pela regra que o Instituto Hidrográfico publica no §111.1 (p. 1-9), em que a preia-mar de águas-vivas é o nível médio mais as amplitudes das constituintes M2 e S2 e a baixa-mar é o nível médio menos as duas, a amplitude calculada com as constantes da p. 3-4 dá 1,33 m em Ponta Delgada e 2,68 m em Cascais; as Concordâncias, que «não dependem do ano», dão 2,76 m a Cascais e não têm linha para Ponta Delgada. Em todas as versões a razão entre os dois portos fica entre 2,0 e 2,1. A amplitude de uma constituinte é metade da oscilação dessa onda (NOAA, Tides and Currents Glossary). Os 1,08 m são a diferença entre os níveis médios adotados acima do Zero Hidrográfico: 2,08 m em Cascais (nível médio de 1938) e 1,00 m em Ponta Delgada (nível médio de 1991).

A comparação das horas é contagem própria sobre as tabelas diárias de 2026 do Instituto Hidrográfico, com as 706 preia-mares de Ponta Delgada e de Cascais emparelhadas: a de Cascais chega entre 20 minutos antes e 9 minutos depois da de Ponta Delgada, e entre 2 minutos antes e 9 depois nas águas-vivas; chega primeiro 198 vezes, e as duas coincidem ao minuto 35 vezes. Os atrasos de Lisboa (20 a 46 minutos depois de Cascais) e o adiantamento do Funchal e o atraso de Leixões vêm da mesma contagem. Distâncias entre marégrafos calculadas das coordenadas do Instituto Hidrográfico: 1 422 km entre Ponta Delgada e Cascais, 22 km entre Cascais e Lisboa (Alcântara). Constituinte M2 (p. 3-4): 0,504 m em Vila do Porto, 0,369 m nas Lajes das Flores, 0,988 m em Sines e em Cascais, 1,047 m em Leixões, 1,106 m em Lisboa.

Sistema anfidrómico: Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos, Glossário RGCI, «Sistema anfidrómico»; J. Bosboom e M. J. F. Stive, Coastal Dynamics, Universidade Técnica de Delft, §3.8.2; S. Hautala, K. Kelly e L. Thompson, «Tide Dynamics», Universidade de Washington, 2005; intervalo de 12 horas e 25 minutos: Pescas e Oceanos Canadá, «About tides and currents». Nenhuma fonte de primeiro nível consultada dá as coordenadas do ponto anfidrómico do Atlântico Norte, e o texto não as dá. A leitura de que a M2 encolhe no arquipélago na direção desse ponto, e a de que a plataforma continental amplifica pouco, são inferências deste artigo sobre os números do Instituto Hidrográfico. Planalto dos Açores: Lourenço et al., Marine Geophysical Researches, 1998, e Spieker et al., Geophysical Journal International, 2018; plataformas insulares: Quartau et al., 2014 e 2015; plataforma continental: Relvas et al., Progress in Oceanography, 2007; propagação da M2 na costa ibérica: Marta-Almeida e Dubert, Continental Shelf Research, 2006, e Álvarez Fanjul et al., Oceanologica Acta, 1998; estes artigos foram lidos a 4 de setembro de 2026. Ressonância: D. Pugh e P. Woodworth, Sea-Level Science, Cambridge University Press, 2014, capítulos 5 e 6. Fundy: NOAA, «Frequently Asked Questions», que dá a média de 11,7 m em Burntcoat Head; o serviço canadiano das Pescas e Oceanos dá 16 m como amplitude máxima. Praias de São Miguel e porto de referência: editor do Calendário das Marés, consultado a 7 de outubro de 2026.